KARL MARX A AÇÃO REVOLUCIONÁRIA PRÁTICO-CRÍTICA
1867 – A publicação da primeira parte de O
Capital.
• Um livro de grande envergadura, que nasceu em condições
extremamente difíceis.
• Não se
tratava de obra de autor estreante, pois Marx já havia assegurado o seu nome na
história do pensamento.
• O pensador,
no entanto, considerava que, antes desse livro, só havia publicado bagatelas.
Duas circunstâncias marcantes da vida de Marx
• Karl Marx
nasceu em Trier (Tréves, à francesa), no sul da Alemanha, em 05 de maio de 1818
e faleceu em Londres, em 14 de março de
1883..
• A cidade de
Trier se localiza na Renânia, que, na época do nascimento de Marx, era uma
Província da Prússia. Trata-se de uma região limítrofe com a França. Diferente
dos outros Estados da Alemanha, nessa província, os camponeses há muito tempo
já não viviam sob o regime das instituições feudais e haviam sido emancipados
da servidão da gleba. Ali floresciam núcleos da indústria moderna com a
polarização do proletariado e da burguesia.
• Nas camadas
cultas da Renânia, as ideias do Iluminismo francês contavam com muitos adeptos,
entre eles se encontrava o pai de Marx.
EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO
• Pertencente
a uma família de classe média de origem judaica, Marx recebeu vigorosa
orientação formadora de seu pai, Hirschel Marx (Heinrich – na versão
germanizada), jurista integrado ao ambiente intelectual laicista que dominava o
país.
• Cursou
Direito na Universidade de Bonn e na de Berlim, tendo aderido à filosofia de
Hegel na versão adotada pelos Jovens Hegelianos, que a interpretavam no sentido
do liberalismo e do regime constitucional democrático, afastando-se dos
aspectos conservadores da doutrina, sobretudo, da exaltação ao Estado.
• Já nessa
época, expressa inquietação face ao idealismo e sua inclinação ao materialismo
se explicita em sua tese de doutoramento na Universidade de Iena, na qual
estudou a relação entre os filósofos gregos materialistas Demócrito e Epicuro.
FEUERBACH – UMA REVELAÇÃO PARA MARX
• 1841 –
Publicação do livro A Essência do
Cristianismo, de Ludwig Feuerbach.
• Desmistificação
do idealismo hegeliano.
• Substituição
dessa tese por uma concepção materialista sob a forma de uma antropologia
naturista.
• “O homem
enquanto ser natural, fruidor dos sentidos físicos e sublimado pelo amor
sexual, colocava-se no centro da natureza e devia voltar-se para si mesmo.
Estava, porém, impedido de fazê-lo pela alienação religiosa.” (GORENDER, 1983,
p. VIII).
ALIENAÇÃO – UM CONCEITO FUNDAMENTAL
• ALIENAÇÃO é
um conceito central da filosofia de Hegel.
• Indicava a
OBJETIVAÇÃO – portanto, era enriquecimento.
• “A ideia se tornava ser-outro na natureza
e se realizava nas criações objetivas da história humana. A recuperação da
riqueza alienada identificava Sujeito e Objeto e culminava no saber absoluto.”
(GORENDER, 1983, p. IX).
• O livro de
Feuerbach apresenta uma tese contrária: a alienação é empobrecimento.
• O homem
projeta em Deus suas melhores qualidades de ser genérico (de gênero natural).
• A divindade
é apontada como criação humana.
• A alienação
passa a ser concebida como a apropriação da essência do criador (o homem) pela
criatura (Deus), que o domina.
• Para
interromper o estado de alienação, Feuerbach propõe substituir a religião
cristã pela religião do amor à humanidade.
O impacto de Feuerbach em Marx
• Forneceu os
recursos teóricos para romper com Hegel e passar do idealismo objetivo para o
materialismo.
• A boa
recepção do humanismo naturista de Feuerbach não implicou total adesão à tese
de que a dialética hegeliana é apenas um fonte de especulação mistificadora.
• Seguindo sua
intuição, Marx adotou essa dialética como princípio dinâmico do materialismo, o
que favoreceu o surgimento da concepção revolucionária do materialismo como
filosofia da prática.
Contato com a realidade cotidiana
• 1842-1843 –
Exerceu o cargo de redator-chefe da Gazeta
Renana, jornal financiado pela burguesia.
• 1843 –
casamento com Jenny Von Westphalen – originária de família
recém-aristocratizada. – transferência para Paris.
• 1844 –
Publicação do único número duplo dos Anais
Franco-Alemães.
• _ Na
referida publicação, veio à luz um opúsculo intitulado Esboço de uma Crítica da Economia Política, assinado por Friedrich
Engels.
Virada de
perspectiva – transição do liberalismo burguês ao comunismo.
• Nos Anais também foram publicados dois
ensaios de Marx:
•
Introdução
à Crítica à Filosofia do Direito de Hegel.
•
A Questão
Judaica.
• Identificação
do proletariado como agente da transformação mais profunda, que deveria abolir
a divisão da sociedade em classes.
• O ensaísta
ainda fazia uso das ferramentas e das linguagens tomadas de empréstimo de Hegel
e Feuerbach.
• Introdução
de duas novidades: a ideia do comunismo e do papel do proletariado na luta de
classes.
A Alienação como processo da vida econômica
• Os Manuscritos Econômico-Filosóficos de 1884 foram
publicados somente em 1932, na União Soviética.
• Foram
trabalhos em fase inicial de elaboração que assinalam o esforço de Marx para se
desvencilhar do idealismo de Hegel e do humanismo naturista de Feuerbach.
• Contém
estudos sobre a história do pensamento econômico e ainda considera a Economia
Política como ideologia e não como ciência, seguindo a tese de Engels.
• Explica a
situação do proletariado como resultado do processo de desapossamento
decorrente da propriedade privada.
• A Alienação
passa a ser definida como “O processo por meio do qual a essência humana dos
operários se objetivava nos produtos de seu trabalho e se contrapunha a eles
por serem produtos alienados em convertidos em capital.” (GORENDER, 1983, p.
XI).
MARX E ENGELS – COLABORAÇÃO INTELECTUAL
• Excluído da
vida universitária, Marx tinha poucos interlocutores.
• Nos meios
cultos, era desprezado.
• No círculos
dos socialistas, não competia com Proudhon, Blanqui e Lassale, seus ideólogos
mais influentes.
• Engels se
tornou seu “verdadeiro público”.
• 1845 –
publicação de A Sagrada Família.
• 1845-1846 –
redação de A Ideologia Alemã,
publicado em 1932, na União
Soviética.
• Teses sobre Feuerbach – anotações
para uso pessoal, publicadas por Engels em 1888.
• 1848 –
publicação do Manifesto do Partido
Comunista.
• 1849 –
fundação da Nova Gazeta Renana, na
qual Engels trabalhou como redator.
• 1885 –
publicação do Livro Segundo de O Capital, sob a incumbência de Engels.
• 1894 -
publicação do Livro Terceiro de O Capital, sob a incumbência de Engels
REFERÊNCIAS
• GORENDER,
Jacob. Apresentação. In MARX, Karl. O capital: crítica da economia política;
apresentação de Jacob Gorender; coordenação e revisão de Paul Singer; tradução
de Regis Barbosa e Flávio R. Kothe. São Paulo: Abril Cultural, 1983. p. VII a
LXXII.
• PECK, Raoul.
O Jovem Karl Marx; produção cinematográfica.
Bélgica/França/Alemanha,
2017.
https://www.youtube.com/watch?v=DlBa6lgr32k
https://www.youtube.com/watch?v=DlBa6lgr32k
A ação revolucionária prático-crítico está de certa forma ligada com a realidade, onde as atividades prático-social dos homens constitui o seu próprio meio, ou seja, o histórico – em que o contexto onde fenômeno humanos e coisas estão incluídos na realidade. O entendimento da ação prático-crítico, é ter a compreensão das relações sociais entre os homens. Nas Teses sobre Feuerbach, podemos entender a prática de duas vias: a prática ordinária comum em que os homens seguem um caminho para realização privativo (fins particular como mundana); e outra a prática superior que são a relação do trabalho dos homens (atividades cooperativistas e universal). Marx por sua vez, discorda de tal posicionamento, ele não considera uma prática menor ou maior, para ele não basta só transformar ou compreender a realidade, é preciso tomar o poder para que de fato haja a ação revolucionária prático-crítico.
ResponderExcluirO artigo de Marx "teses sobre Feuerbach mostra que conhecer o mundo não é afastar-se do real, mas saber transformá-lo pelo trabalho. A ideia de trabalho que Marx apresenta e que foi antecipada por Feuerbach não se distanciava da pura contemplação, sem saber que há uma relação constante entre sujeito e objeto conhecida como produção humana ou o trabalho. Marx mostra uma relação entre ser e consciência que atravessa os pressupostos dos trabalhos intelectual e material, assim de acordo com Marx: “as circunstâncias fazem o homem tanto quando o homem faz as circunstâncias”. Através do trabalho o homem domina a natureza dando um objetivo prático a ela, este processo humaniza e este fato diferencia qualitativamente o homem dos animais. A consciência como uma produção social é também histórica, ela é relação com outra coisa que não é ela mesma, mas com a realidade social, este princípio do materialismo histórico supera o humanismo de Feuerbach. A práxis consiste em atividade humana que, conscientemente, transforma o mundo. Marx menciona que o trabalho de Feuerbach consistia na conversão da essência religiosa em essência humana, mas sem mediação das relações sociais que é a verdadeira essência do individuo, pois os indivíduos vivem em sociedade, onde são classificados de acordo com poder econômico. O pressuposto abordado corresponde à valorização da condição humana dentro da sociedade, assim como à necessidade de eliminação da auto alienação, presente na sociedade burguesa. Sem este pressuposto não é possível considerar as construções humanas como produtos da realidade social dos indivíduos.
ExcluirKarl Marx foi filosofo, sociólogo, jornalista, economista, historiador, grande revolucionário intelectual etc. Suas obras grandiosas permite que o chamemos de fundador do comunismo moderno. Marx não chegou a ver o sucesso de suas obras, apesar de ter publicado algumas delas em vida, no entanto, seus pensamentos só vieram ganhar notoriedade anos depois de sua morte. Entre suas obras principais estão: O Manifesto Comunista, O Capital e O 18 Brumário de Luís Bonaparte. Mas estas não são as únicas obras que expressam a genialidade do autor. As Teses Sobre Feuerbach são onze curtas – porém complexas - notas filosóficas onde Marx críticas as ideias do filosofo Ludwin Feuerbach, em especial o materialismo defendido por Feuerbach e o idealismo filosófico. Marx defendia que para transformar o meio social, só o pensamento é inútil, é preciso ter a pratica, o que ele chama de práxis (pensamento mais prática). Marx vai dizer que a práxis é um forma de transformação das circunstâncias que são bases para nossa visão de mundo. Para o autor unir a pratica e pensamento nos ajudaria a construir uma sociedade sem exploração, sem luta de classes.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirBom, Karl Marx e Friedrich Engels foram dois grandes teóricos,tanto no âmbito da filosofia,como da sociologia.Os dois germânicos,deram origem a uma série de tratados,ensaios e obras sobre as forças opressoras,estando relacionadas através dos meios de produção,e da produção propriamente dita.Em circulação o capital detido por poucos e carecido por muitos.Ambos tentatram subverter essa situação.Os dois teóricos uniram os esforços e ideologias,e redigiram algumas obras cruciais na definção daquilo que seria a abolição das classes após as lutas destas.
ResponderExcluirContudo Marx e Engels em obras,como Manifesto Comunista (da autoria de ambos,em 1848),ou o Capital (de Marx,1867,tanto no plano teórico,como na prático,no desenvolvimento de vários subtipos de socialismo e de comunismo,alguns deles associados ao anarquismo.Várias foram as interpretações,e proporcionais de articularem ou em outras darem vida pelas mesmas .Marx e Engels preparam uma teorização daquilo que foram saas fundações sócias e produtivas do capitalismo.Com o intuito,de irem além do utópico objetivo de visualizar o que seria uma sociedade ideal,buscaram perceber como se dava a acumulação do capital,desvendando .Como crença,partiam do seguinte pressuposto,de que o capitalismo seria desmantelado de dentro para fora,ou seja a partir das lacunas .Percebendo uma classe trabalhadora explorada e expropriada,apontaram o caminho para a formação histórica e social das suas consequências ,e firma-lá como uma classe revolucionária.
Marx lutava arduamente para que suas ideias fizessem parte de sua prática cotidiana.Baseou-se em conceitos,como o materialismo de Feuerbach e no mais a dialética de Hegel,o que abordou um valioso exercício que contemplou as relações entre os indivíduos e com as instituições que balizavam o comportamento social.Algumas ideias de Marx:Mais Valia,trata-se da diferenciação entre o valor gerado pelo trabalho empregado pelo individuo e a qual a remuneração que recebe do empregador capitalista.Luta de Classes: tensão imposta pela desigualdade de forças dos grupos sociais,que se dividem em proprietários – dos meios de produção – e o proletariado – os trabalhadores em si.
Final do sistema capitalista: O grupo de proletários seria maior e por essa questão seus direitos podem prevalecer.Fariam protestos na ruas,dando início a uma sociedade justa,equilibrada,e acabando com a propriedade privada de todos os meios produtivos.
Tudo isso culminaria um desenvolvimento pleno do ser humano.
.
ExcluirBem pertinente sobre o grande amigo de Marx, o Engels,ajudou bastante o mesmo.Una parcela de pessoas considera uma contradição de Engels é um destaque a parte: filho de industrial e burguês, ele se incomoda profundamente com as condições de trabalho a que estão sujeitos os operários. há, atualmente, quem considere isto uma hipocrisia, no entanto, nada o impede de ser solidário aos trabalhores. um dos discursos expostos no filme diz: o operário não tem condições de refletir ou lutar sozinho sobre a realidade que o está ao seu redor, todavia é possível lutar com apoio e união, como indica o lema da Liga Comunista: “trabalhores do mundo, uni-vos”.
Comentários sobre o filme “O jovem Karl Marx” (2017)
ResponderExcluirO filme “O jovem Karl Marx” conta a história biográfica de um recorte da vida do filósofo e sociólogo alemão Karl Marx em seu exílio na França aos 26 anos de idade até a elaboração do manifesto comunista. O diretor “Raoul Peck” aborda o começo da amizade entre Karl Marx e Friedrich Engels (co-autor do manifesto), uma relação de respeito e de produção intelectual. Depois que o jornal alemão Gazeta Renana, onde Marx era colaborador, foi fechado, Marx muda para França com sua esposa Janny Von Westphalen e conhece Friedrich Engels com quem desenvolveu a obra “manifesto comunista”, Janny Também contribuiu muito para a formação do pensamento de Marx.
Marx critica o idealismo de Hegel, pois acredita que a libertação do homem vem da alienação, ou seja, o homem deixa de ser alienado quando tem consciência de sua exploração. Marx afirma que não são as ideias que criam os homens, mas sim os homens que criam ideias. Para Marx a mercadoria é ponto central do sistema capitalista, o trabalho é visto como mercadoria que o proletário vende aos donos das indústrias para viver, este sistema possibilita o lucro através da exploração da mão-de-obra. Desta forma o trabalho operário e a vida humana tornam-se mercadoria para o capitalismo. Marx e Engels são escolhidos no movimento operário conhecido como a “liga dos justos”, depois passou a ser chamada de “liga comunista”. Engels é eleito delegado oficial da liga em Bruxelas, ele afirma que a revolução industrial criou o “escravo moderno”, isto é, o proletário ao se libertar, ele libertará a humanidade, esta liberdade é definida como o comunismo. Marx e Engels criam assim o “manifesto comunista” como um tratado político e um guia para os proletários na luta de classes com a burguesia.
Marx é conhecido como o fundador de uma área de conhecimento dentro das ciências humanas. Seus trabalhos versam sobre história, filosofia, economia e sociologia. É inegável a contribuição de Marx para a economia, principalmente sobre a teoria do valor econômico e com o desenvolvimento do conceitos como o de mais-valia e do fetiche da mercadoria. Para a história a concepção materialista é considerada um divisor de águas. Pensar uma saída para o capitalismo, buscando novas formas de produção e distribuição econômica que igualasse os homens em suas condições materiais e sociais, liberando-os da alienação, foi um dos maiores esforços da teoria de Marx.
ResponderExcluirA obra de Marx é quase sempre analisada a partir de suas influências intelectuais, como Hegel, Fauerbach, Ricardo e Adam Smith. O alcance de suas obras é incomensurável, mas podemos citar a Revolução Russa como um dos eventos relacionados ao impacto de sua obra. Seu nome está invariavelmente associado as teorias sobre comunismo, socialismo e revolução.
Anthonyo Marcos
A DESILUSÃO DE MARX
ResponderExcluirFilho de Judeus, Karl Marx nasceu em Triper, na Alemanha, em 1818, mais ou menos um século antes da revoluação russa. Durante sua infância, mudou-se com a família para uma cidade predominantemente luterana. Por razões econômicas ou de negócios, seu pai se "converteu" ao luteranismo, alimentando para a vida toda a desilusão do seu filho com o papel da religião na vida.
Com vinte e três anos de idade Marx obteve seu doutorado em filosofia. Ele lera muito as obras de Hegel e Ludwig Feuerbach. Este último ensinou que o ser humano não foi criado à imagem de Deus, mas Deus foi criado à imagem do ser humano. Toda Teologia, de acordo com Feuerbach, nada mais é que antropologia. Marx abraçou a idéia de Feuerbach de que o ser humano, e não Deus, é que se realiza na história.
A Filosofia da história de Marx é ao mesmo tempo uma filosofia do ser humano. Os classicistas o definiram como "homo sapiens - o ser humano sábio", acreditando que o que separa o ser humano dos animais é o intelecto humano. Marx redefiniu o ser humano como "homo faber - o humano que faz" (daí vem a palavra fábrica, como no alemão fabrik).
Para Marx, o trabalho é o principal catalisador da realização própria do ser humano. Ele é singular porque faz da sua atividade o objeto da sua consciência e vontade. O trabalho é um processo dinâmico entre o ser humano e a natureza. Por intermédio do seu trabalho, o ser humano sobrevive.
Para Marx, a comunidade humana é criada pelo trabalho - mais especificamente, pela divisão do trabalho. As pessoas trabalham umas para as outras. O trabalho é um empreendimento coletivo, tornando a coexistência essencial à sobrevivência. Esse esforço cooperativo no trabalho é o que une as pessoas na história do mundo.
Marx viu a revolução industrial como uma ameaça séria ao bem-estar da humanidade. A Sociedade mudou dramaticamente de agrária para industrial, à medida que o povo deixava suas lavouras aos milhares para procurar emprego nas fábricas.
O Que isso significa para a humanidade? A mudança do sistema agrícola para o industrial resultou na desumanização do trabalhador. Criou um estado de hostilização econômica, que exigia e necessitava de algum tipo de reconciliação. O operário, que como agricultor trabalhava para si mesmo, agora tinha que vender seu trabalho ao capitalista, que possuía os meios de produção, as ferramentas - nesse sistema que possuir as ferramentas é quem comanda, domina o jogo.
Mesmo quando o trabalhador sai da fazenda "voluntariamente" para trabalhar na fábrica e faz um "contrato livre de trabalho" (para ganhar salário por seu trabalho), Marx não vê nada de "voluntário" e livre nessa transação. O sistema econômico "força" o trabalhador a abandonar o emprego próprio e a empregar-se junto ao capitalista para ganhar salário. Na verdade, o trabalhador, na opinião de Marx, torna-se um mero escravo que ganha salários. O trabalho do operário se torna um meio para o fim do outro. O trabalhador não possui mais nem as ferramentas (os meios de produção) nem o fruto do seu trabalho (os produtos que fez).